Guias
Aura de enxaqueca, explicada
Um ziguezague cintilante avançando pela sua visão. Formigamento subindo pelo braço. Palavras que não saem direito. A aura é a parte mais estranha da enxaqueca — e a que mais vale a pena entender, porque às vezes não é enxaqueca de jeito nenhum.
O que a aura realmente é
A aura é uma onda de atividade temporariamente alterada que se move devagar pela superfície do cérebro — os pesquisadores a chamam de depressão alastrante cortical — e os sintomas que você sente correspondem às regiões que a onda atravessa. Ao cruzar o córtex visual, você vê coisas que não estão lá; ao cruzar áreas sensitivas, sente formigamento; ao tocar áreas de linguagem, a fala tropeça. Ela afeta cerca de um quarto a um terço das pessoas com enxaqueca, geralmente chegando antes da dor como uma abertura estranha. É totalmente reversível e, em quem já tem diagnóstico estabelecido, não é perigosa — mas seus sintomas se sobrepõem aos de condições que são, e é por isso que os detalhes abaixo importam.
Os três tipos comuns
- Aura visual — de longe a mais comum. Formas clássicas: um pequeno ponto cego tremulante que cresce; linhas em ziguezague ("espectros de fortificação") que se expandem por um lado da visão, muitas vezes cintilando na borda; faíscas, distorção como ar quente, ou manchas onde a visão simplesmente não está. Ela costuma se deslocar e crescer ao longo de minutos — essa marcha lenta é caracteristicamente enxaquecosa.
- Aura sensitiva — formigamento ou dormência que se espalha gradualmente, classicamente começando nos dedos de uma mão e subindo pelo braço em direção ao rosto e à língua ao longo de vários minutos. A marcha é, de novo, a assinatura; dormência que aparece em todo lugar ao mesmo tempo é outra história.
- Aura de fala ou linguagem — a menos comum das três: dificuldade para encontrar palavras, frases embaralhadas ou dificuldade de entender a fala, mesmo sabendo exatamente o que você quer dizer.
A linha do tempo típica
Os critérios diagnósticos são bem específicos aqui, e o tempo é genuinamente útil de conhecer. Cada sintoma de aura costuma se desenvolver gradualmente ao longo de cinco ou mais minutos e durar entre 5 e 60 minutos. Se você tem mais de um tipo, eles tendem a vir em sequência — visual primeiro, depois sensitivo, depois fala —, então uma aura com vários sintomas pode passar de uma hora no total enquanto cada componente fica dentro do limite. A dor de cabeça geralmente começa durante a aura ou em até uma hora depois que ela some. Mas nem sempre: a aura sem dor de cabeça (às vezes chamada de enxaqueca silenciosa) é um padrão reconhecido, mais comum com a idade, em que o espetáculo de luzes chega e vai embora sem dor alguma depois. Inquietante, mas bem descrito — o panorama da American Migraine Foundation sobre a aura cobre bem o assunto. Um primeiro episódio de aura sem dor de cabeça ainda merece uma avaliação médica adequada, já que outras condições podem imitá-lo.
Os sintomas de aura imitam o ataque isquêmico transitório e o AVC, e aqui a honestidade importa mais do que o consolo. Procure ajuda médica imediata se sintomas parecidos com aura são novos para você; começam de repente em força total em vez de crescer ao longo de minutos; envolvem fraqueza de um lado (não só formigamento), queda de um lado do rosto ou perda de visão; duram bem mais de uma hora; ou vêm com a pior dor de cabeça da sua vida. Quem já tem aura conhecida também deve falar com o médico se o caráter da aura mudar. Essa é uma situação em que "esperar e registrar" é o instinto errado.
Por que a aura pertence ao seu diário
Além de satisfazer a curiosidade, a aura registrada ganha seu lugar de três maneiras. Primeiro, o diagnóstico: enxaqueca com aura e enxaqueca sem aura são diagnósticos formalmente distintos segundo os critérios da ICHD-3, e a distinção pode influenciar decisões clínicas — incluindo, para algumas pessoas, conversas sobre fatores de risco cardiovascular que vale a pena ter com um médico. Segundo, o tempo de aviso: em muitas pessoas a aura é confiável o bastante para funcionar como um alarme de 20–40 minutos antes da dor, tempo suficiente para achar um quarto escuro, tomar o tratamento conforme orientado pelo médico ou passar adiante a tarefa de buscar as crianças na escola. Seu diário mostra quão confiável é a sua. Terceiro, a honestidade dos padrões: algumas crises vêm com aura e outras não, e a memória confunde qual foi qual com uma regularidade impressionante.
Registrar não precisa ser elaborado. Anote que a aura ocorreu, o tipo dela e mais ou menos quando começou em relação à dor — isso basta para um médico trabalhar. No Dim, o registro de uma crise começa com três toques, então você pode marcar o momento em que os ziguezagues aparecem mesmo quando mal consegue ler a tela — a interface quase preta ajuda quando os olhos já estão protestando — e adicionar os detalhes da aura depois, quando a crise tiver passado. Ao longo de meses, essas entradas mostram se a aura é sua companheira constante ou uma visitante ocasional, que é exatamente o tipo de padrão que faz um relatório médico valer a leitura. E se a luz em si parece disparar as suas crises em vez de só acompanhá-las, nossa página sobre luz e fotofobia olha para esse lado da história.
Respostas rápidas
Todo mundo com enxaqueca tem aura?
Não — a maioria das pessoas com enxaqueca nunca tem aura. Cerca de um quarto a um terço tem, e mesmo essas costumam ter muitas crises sem ela.
A aura pode acontecer sem nenhuma dor de cabeça depois?
Sim. A aura sem dor de cabeça é um padrão reconhecido de enxaqueca, especialmente mais tarde na vida. Um primeiro episódio ainda deve ser avaliado por um médico para descartar outras causas.
O que devo anotar sobre uma aura?
O tipo (visual, sensitiva, de fala), quando começou, quanto durou e se veio dor de cabeça depois. O início gradual ao longo de minutos também vale anotar — é parte do que distingue a aura clinicamente.